MTB ou e-bike? Por que eu uso as duas
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Durante muito tempo, quando alguém fala em mountain bike ou e-bike, a conversa acaba quase sempre na mesma pergunta:

Qual é melhor?

Eu prefiro fazer outra pergunta:

Qual delas faz mais sentido para o passeio que eu quero fazer?

Eu tenho mountain bikes convencionais e também e-bikes. E, depois de muitos quilômetros pedalando, percebi que não vejo uma como substituta da outra.

Cada uma tem o seu momento.

Eu não pedalo para treinar.

Antes de qualquer comparação, existe uma coisa importante sobre a maneira como eu pedalo. Eu não tenho como objetivo melhorar meu tempo, buscar performance ou competir. Eu pedalo porque gosto.

Gosto de conhecer lugares novos, encontrar pessoas, participar de grupos de pedal, parar para tirar uma fotografia, conhecer um restaurante, uma cidade, uma estrada ou simplesmente descobrir o que existe depois daquela curva.

Para mim, a bicicleta é uma maneira de explorar.

Quando a e-bike faz sentido para mim.

A e-bike mudou principalmente a distância que eu consigo percorrer saindo de casa. Quando existe a possibilidade de sair pedalando de casa até o ponto de encontro do grupo, a e-bike se torna uma excelente opção.

Ela permite encarar distâncias maiores com mais conforto e chegar ao passeio com disposição para aproveitar o que realmente importa: o passeio.

E isso muda a relação com a distância. Um lugar que antes parecia longe demais para ir pedalando começa a fazer parte das possibilidades.

Não significa que o pedal deixou de ser um pedal. Significa que eu consigo ir mais longe.

E quando a mountain bike convencional ganha?

Aqui existe uma questão muito prática: transporte. Quando o ponto de partida do passeio fica muito distante da minha casa, normalmente vou de mountain bike convencional.

Por quê? Porque consigo colocar a bicicleta no rack de teto do carro e transportá-la com muito mais facilidade.

Com a e-bike, o transporte é mais complicado. O peso e o tamanho tornam a logística menos conveniente.

Então, se o grupo vai começar o passeio em um lugar distante, a MTB convencional acaba sendo a escolha mais prática.

E isso é interessante porque mostra que não existe uma bicicleta perfeita para todas as situações. Existe a bicicleta adequada para aquele passeio.

Mas e os números?

Recentemente comparei dois passeios semelhantes que fiz na região de Iracemápolis. Um foi feito com uma mountain bike convencional e outro com uma e-bike.

Os percursos ficaram muito próximos em distância e altimetria. Na mountain bike, foram aproximadamente 75 km, com cerca de 931 metros de elevação acumulada. Na e-bike, aproximadamente 78 km, com cerca de 954 metros de elevação acumulada.

Ou seja: percursos bastante semelhantes.

A diferença apareceu no tempo em movimento. Na MTB, aproximadamente 5h21. Na e-bike, aproximadamente 4h08.

A velocidade média em movimento ficou em torno de 14 km/h na MTB e 18,9 km/h na e-bike.

MTB vs E-bike — Comparativo prático
Característica MTB Convencional E-bike
Passeios perto de casa Não Sim — ideal para sair de casa até o ponto de encontro
Passeios longe (transporte) Sim — rack de teto Difícil — peso e tamanho
Distância máxima Depende do esforço Maior alcance com conforto
Tempo (75-78 km) ~5h21 ~4h08
Velocidade média ~14 km/h ~18,9 km/h
Transporte de carro Fácil Mais difícil
Experiência de pedal 100% esforço próprio Esforço + assistência elétrica
Exploração de lugares Limitada pela energia Ampliada pela bateria

Mas existe uma coisa importante: eu não considero isso um teste científico. Os passeios aconteceram em momentos diferentes, não foram realizados nas mesmas condições e meu objetivo não era comparar desempenho.

Os números servem para mostrar uma coisa muito mais simples: a e-bike me permite percorrer distâncias maiores com mais conforto e, consequentemente, explorar lugares que talvez eu não escolheria com a mesma frequência usando uma bicicleta convencional.

Então, qual eu escolheria? Depende.

Se vou começar o passeio perto de casa e quero aproveitar a possibilidade de pedalar uma distância maior, provavelmente vou de e-bike.

Se o grupo vai começar muito longe e preciso transportar a bicicleta, a MTB convencional provavelmente será minha escolha.

Se o objetivo é simplesmente sair, pedalar, conhecer um lugar novo e encontrar amigos, as duas cumprem muito bem o seu papel.

Talvez a pergunta esteja errada.

A discussão MTB ou e-bike muitas vezes transforma duas experiências diferentes em uma competição. Para mim, não precisa ser assim.

A pergunta que realmente importa é: qual bicicleta vai me permitir aproveitar melhor este passeio?

E essa resposta muda conforme o lugar, a distância, o grupo, a logística e até o meu humor naquele dia.

No final, continuo acreditando na mesma coisa que escrevi quando comecei a falar sobre mountain bike: o importante é pedalar.

A bicicleta é apenas a ferramenta que permite que a gente vá mais longe. E, às vezes, descubra lugares que nem imaginava encontrar.